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Memórias

14.04.2014 22:00 EDT
Ele pode ver as primeiras estrelas preencherem a imensa ausência de luz na janela.É um pouco tarde para tão pouca escuridão,é um pouco cedo demais para uma rua tão deserta... O horizonte não parece tão reflexivo agora,os postes o impedem de focar seus olhos para qualquer ponto limitado pela moldura da janela,então ele projeta na paisagem seus pensamentos...Seus instintos o fazem cogitar que seja mais um sonho.


Um pequeno suspiro atrapalha sua intensa imersão.De repente ele sente como se não estivesse sozinho,escuta o mesmo tom de saudades de algo que não se sabe bem em que tempo está situado-embora na maioria das vezes ele poderia jurar ser o futuro-,sente que algum cômodo da casa guarda resposta de perguntas que ele sequer conhece,algum tipo de regente para suas pulsações de ritmo tão imaturo,algum ponto em comum a todas as memórias que agora lhe soam desconexas,o apaziguar de tanta ansiedade.Pode soar louca e fantasiosa,mas a ideia de alguém para compartilhar tanta melancolia ganha um rascunho um pouco mais sério. O que o faz ter ainda mais dúvida sobre estar acordado...


Ele volta para a janela,resolve que ao menos por enquanto que aquilo não irá distraí-lo,afinal está tão ocupado em seu estranho esquecimento,se questionando sobre que faz ali,sobre o porquê de tantas reflexões ou até mesmo sobre qual sua real identidade... Quando o suspiro é novamente escutado,tão profundo quanto sua dúvida,tão calmo quanto tudo que abrange a limitada percepção.não seria estranho se tivesse partido de seus lábios,mas ele sabe que não alcançaria essa leveza,e isso o faz perder novamente o foco na janela.

A noite cai...

Ele se deita,tenta dormir mas mal consegue ficar de olhos fechados.Tudo ao redor parece tão estranho e ao mesmo tempo tão familiar,e de repente todo esse fascínio se desprende do medo,ele sente todas as suas pretensões se manifestarem contra aquela cama e se levanta. E então,escuta mais um suspiro,dessa vez envolvido em uma pequena risada,tão doce,ao mesmo tempo coberta por uma leve tentativa provocação. Ele resolve sair do quarto ao perceber que,se está sonhando, não há o que temer.

Ela simplesmente o espera...

Ele cruza a porta,sente seus instintos o guiarem e apenas obedece,não sabe bem por que,mas acha que conhece bem a casa,e durante o trajeto consegue se lembrar vagamente da garota,oh sim,tão bela! Se lembra de algumas cenas importantes,cenas que marcaram momentos ao lado dela, de seus suspiros apaixonados...E tudo parece tão claro, de repente ele sente sua falta,uma vontade incontrolável de vê-la,o que o faz aumentar gradualmente a velocidade de seus passos.Ele se lembra do desconhecido,de seu toque,de todas as vezes que os misteriosos lábios respiraram por ele. Mas ainda não se lembra da risada do último suspiro.

Ele persegue mentalmente por recordações cruciais,enquanto seu
corpo corre irracionalmente a procura dela,guiado mais pela saudade do que pela curiosidade,mais pela vontade de relembrar do que pela ânsia de conhecer. Mas ainda esperando ser surpreendido.

Ele encontra a porta,e a partir do primeiro giro tudo desacelera,em contraste com as palpitações que parecem escapar de seu peito.Em alguma parte,ele se delicia com toda essa angústia.Ela também...

Após segundos que mais pareceram dias,ele abre a porta,e se recusa a oferecer resistência,os instintos assumem o controle total.Ele encontra seus olhos,ignora todo o resto do aposento,como se toda sua vida girasse em torno das duas pequeninas estrelas castanho-escuro,as únicas da noite.Pouco depois, foco muda repentinamente para os lábios,a vertiginosa fartura o faz devolver um dos suspiros.Os cabelos deixam seus olhos perdidos de forma tão aprazível... Até o momento que,ele enfim consegue olhar para toda sua expressão facial,para a pintura inteira,cada detalhe abdica do destaque individual e se mescla,dosando perfeitamente suas qualidades.Como se seu inconsciente tivesse projetado diante de seus olhos a visão de tudo que se entende por beleza.Ela apenas sorri com leveza,ele sente que a melhor parte do sorriso ainda não foi revelada.Eles percebem que não há mais nada a temer,não há tempo a perder... Estão enfim compartilhando do mesmo êxtase,
ela o esperou por tanto tempo,ele sente cada vez mais saudades dela...

O abraço demorado os faz voltar ao tempo que se conheceram assim que fecha os olhos.O calor é tão familiar,tâo acolhedor...Eles abrem os olhos,se seguram pelas mãos,tentam mutuamente transmitir coragem para tentar descrever tudo que sentem,mas apenas caem novamente,enquanto um beijo escapa...

Os lábios se tocam com ainda mais avidez que o abraço,mas ainda assim tudo parece passar tão devagar,sentem cada detalhe,cada nota de sabor prestes a se rebelar em suas línguas. Ele envolve o corpo dela,tenta se equilibrar,se adaptar perante tamanha leveza,como se de repente a gravidade não fosse sequer uma palavra. Sente como se o corpo da garota fosse parte de seus braços,se sente tão forte assim...

Ela acaricia sua face,o joga momentaneamente em uma espiral de serenidade,para sentir a retribuição vir em mais um longo beijo,dessa vez em seu pescoço.As coisas soam ainda mais familiares...
Ele sente o gosto de cada arrepio,sente o calor inicial arder ao invés de apenas aquecer.

Ainda menos racionalidade é dosada no próximo fluxo de impulsos,mas o suficiente para contemplarem onde seus instintos os levam.Ela dança ao seu redor,possuída pela inicialmente estranha melodia que agora embriaga seus ouvidos,querer segui-lá é praticamente inevitável. Mas é ela quem se aproxima...


Se abraçam novamente,os lábios ainda mais familiarizados.ao abrir os olhos,ele pode enfim prestar atenção no aposento: a janela aberta,as flores e uma foto dos dois perto da cama,a cama... ele vê tudo de perto,quando percebe que estão sentados sobre a cama,guiados por mais um beijo.

Seus corpos mesmo entrelaçados ainda se sentem distantes...Tentam se despir com avidez para amenizar o problema,mas se divertem com a maneira que as roupas custam a cair... Ainda sentem a pequena distância,mas agora os carinhos dizem tanto,o afeto de cada carícia é tão melhor sentido...O vento frio invade o quarto,mas fechar a janela exigira dos dois uma atenção que nenhum deles pode dispor agora,então simplesmente se abraçam ainda mais e resolvem o problema...

É tudo tão real,a hipótese de que seja um sonho já não existe...
Talvez os dois sejam fantasmas em um mundo decaído,e ela o fez ver perceber que são vivos demais para assombrar tudo que ouse atrapalhar cada momento juntos.

E eles seguem brincando com a mortalidade,desfalecendo em prazeres sem medo de se esquecerem de respirar...sentindo o sabor dos próprios arrepios,desejos e curiosidades sendo satisfeitos com uma sincronia assombrosa.Deitado,ele sente todo o sorriso de sua amante ser enfim ser revelado ao olhar para cima e vê-la se aninhar em seu corpo,sente seu próprio sorriso ser revelado.E perecebem que nunca perderam a imatura delicadeza do primeiro toque... Até que sentem o quão acostumados estão com tantas sensações e finalmente se completam por inteiros...


E assim,eles esperam pelas chamas,mas são novamente surpreendidos,percebem que sempre tentarão a mesura do quanto realmente se desejam e sempre errarão por muito,e isso é encantador... Sentem seus corpos cada vez mais síncronos,como uma grande engrenagem que rege o andamento de tudo que sentem,que dosa a intensidade dos suspiros com uma instabilidade tão precisa,tão densa,mas que nunca sufoca... Ela dança agora sobre ele, seguindo a sinfonia carnal ao ritmo das chamas e com uma graciosidade angélica.Ele a segura,se segura e ajuda a ditar o ritmo,o medo de cair sempre foi apenas um pretexto,a paixão faz as palavras soarem impronunciáveis,mas ainda assim tentam se chamar pelo nome aos gemidos...Se conhecem e conhecem a si mesmo a cada movimento, outro beijo expressa tudo que não conseguem dizer sobre tudo isso.
Quando enfim seguram as mãos sentindo que é hora de se deixar levar pela ardente correnteza que invade seus corpos,prometem não se soltarem nem que o mundo se verta no inferno,mas mal acabam a frase e sentem como se tivessem chegado juntos ao plano mais alto,sentem como se tivessem acabado de nascer em um novo mundo,sentem suas forças sendo expulsas pela respiração ofegante rindo por dentro,sabendo o quanto tudo irá terminar bem.


Chove lá fora,eles enfim fecham as janelas,dão as mãos e trocam juras desafiando a voz dos trovões, e a transparência das gotas de água que vem das nuvens com a aura de confidência na troca de olhares.Ela suspira com a mesma risada de outrora em tom nostálgico.A neblina envolve toda a pintura,aos poucos tudo desaparece...


Pude enfim despertar,após uma noite que aparentou ser tão longa...Te vejo acordar ao meu lado,pronto para dizer que sonhei com você. Mas então percebo que ainda estou sonhando e para sempre estarei,ao seu lado,ainda não aprendi a discernir o surreal.E assim sigo cada dia,descobrindo que tenho você,tentando lidar com o fato que nunca me acostumarei,sempre serei surpreendido por sua aura. Céus,como amo toda esta irregularidade! Inalo a essência selvagem de todos estes arrepios,sinto fluirem em mim como ventos que correm soltos em uma tempestade...Me sinto capaz de equilibrar o mundo na ponta de um dedo. Mas o que realmente amo,é te ver acordar,colocar a cabeça sob meu peito e me estabilizar,me demonstrar de onde vem meu verdadeiro poder... Segurando minhas mãos,você olha em meus olhos,doma os espasmos da poesia em mim, e me pergunta se pode ir até mim ou se podemos esperar pela chuva na próxima vez.
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