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:: O Amigo Invisível :: ll=ll

:: E Ainda Dizem Que As Crianças Não Tem Um Dom Especial :: ll=ll

As ruínas de Macchu Picchu pareciam ainda mais fúnebres na tarde nublada dos Andes. Os turistas brasileiros Ivan e Vera Torres estavam impressionados com o clima de mistério da antiga cidade inca. Segurando uma estatueta de um deus-puma incaico, a moça
posava para uma foto. De repente, um índio velho caiu de joelhos diante dela e disse em castelhano:
- Salve, formosa mãe! Tu és a escolhida. Estás esperando uma filha que viveu aqui há três mil anos. Era a imperatriz de um povo muito poderoso. Agora ela voltou a este mundo com uma missão: preparar a vinda do príncipe.
Ivan fotografou a cena: o súbito aos pés de uma linda imperatriz. O índio entregou a Vera um pequeno objeto de pedra e afastou-se rápido, mancando de uma perna. Ivan clicou mais uma vez.
- Que coisa incrível! - ela riu. - Eu nem sabia que estava grávida!
Examinaram o presente do índio: um amuleto, decorado com um estranho símbolo. Vera pendurou aquele recuerdo no pescoço, na mesma corrente do cruxifixo. Sozinha contra uma parede de pedra, Vera inclinava-se e sorria para ninguém.
- Ué! Cadê o índio, Ivan?
- Sei lá! A câmera deve ter falhado. A luz não era boa.
- Sei... Você pode ser um grande engenheiro, mas como fotógrafo é uma lástima...
A criança nasceu durante um eclipse, e foi chamada Mayulla. A mãe tinha sonhado com esse nome. No batismo da menina, o padre passou mal, botou sangue pelo nariz, e desmaiou no fim da cerimônia. Com um ano de idade, Mayulla ainda nem falava, mas já passava
horas "conversando" com amigos invisíveis. Os pais achavam muita graça naquilo.
- O que será que ela está dizendo com tanto gagagá? - Ivan ria.
- Ela é muito inteligente. Puxou a mamãe... - Vera beijocava a filha.
Mayulla tinha dois anos quando se mudaram para a cidade de Jaguapussuna, onde o engenheiro Ivan Torres ia dirigir a construção de uma hidrelétrica. Como Vera lecionava em uma escola primária, colocou Mayulla em uma escola maternal. No fim da primeira
semana, uma das "tias" estava impressionada com a menina:
- As crianças mais velhas obedece a ela. Mayulla nem precisa falar.
Vera Torres ficou muito orgulhosa. Nas semanas seguintes, porém, houve uma série de acidentes graves com as crianças. Uma cortou-se com uma faca, duas partiram a cabeça, três quebraram braços e pernas, quatro cortaram-se brincando com garrafas quebradas e
cinco ficaram mudas, estáticas, apatetadas. A diretora da escola maternal chamou Vera para uma conversa. A mulher parecia muito pertubada.
- Peço que a senhora tire sua filha da nossa escola. Imediatamente. Esses acidentes aconteceram sempre que Mayulla estava por perto. Eu não sei explicar, mas acho melhor prevenir. Espero que a senhora compreenda.
Vera ficou ofendidíssima:
- Nunca ouvi tamanha estupidez! A senhora só pode estar louca! Mas não se preocupe: é claro que eu não vou deixar minha filha nas mãos de gente tão incompetente!
Durante três anos, passaram a contratar babás para cuidar de Mayulla. Entretanto, nenhuma delas ficou mais do que duas semanas no emprego. Demitiam-se sem dar explicações, ou simplesmente abandonavam a casa. Até que Vera encontrou a simpática e risonha
Rosa, que Mayulla logo passou a chamar de "Osa". A moça vivia encantada com a criança:
- Ela é uma lindeza, dona Vera. Fala e ri o dia inteiro, não se sabe com quem. Conversa como gente grande. Parece até que fala em uma língua de gringo.
Dias depois, no meio de uma aula, Vera foi chamada com urgência ao telefone. Era Rosa, aos gritos:
- Vem aqui pelo amor de Deus, dona Vera! Vem agora, correndo!
- O que aconteceu, Rosa?
- Tá acontecendo! A casa tá endiabrada!
Estacionando diante do sobrado, Vera ouviu os ruídos lá dentro. Na janela do andar de cima, Rosa gritava por ela. Ao entrar na sala, viu o sofá e as duas poltronas bailando no ar. Uma bailarina agitava tentáculos verdes, castigada por um vendaval
silencioso. A estante sacolejava, vomitando os livros. A estatueta de pedra do deus-puma, lembrança da viagem aos Andes, saltou de um aparador, cruzou o espaço e estilhaçou o grande espelho oval na entrada. Lá em cima, Rosa rezava em altos brados. Vera
subiu a escada aos saltos para socorrer a filha. No quarto de Mayulla, gavetas ejetavam-se dos móveis, espalhando seu conteúdo. O guarda-roupa saltava como se dançasse. O colchão da cama de Mayulla flutuava a dois metros do soalho. Sentada nele, a menina
ria e dizia palavras em uma língua estranha.
- Meu bom Jesus! - Rosa berrava. - Isso é o coisa ruim, dona Vera! Tem que chamar o pastor da minha igreja para expulsas esse demônio! Socorro, Jesus!
Vera tomou a filha nos braços, fugiu para a rua e telefonou para o marido de um telefone público. Os fenômenos cessaram antes que Ivan chegasse. Na tarde seguinte, aconteceu de novo. Alarmados por Rosa, Vera e Ivan chegaram a tempo de testemunhar o
espetáculo absurdo. A dança dos móveis. Os pratos projetando-se do armário contra as paredes da cozinha. No chão, os talheres derretendo-se, exalando fumaça. Em pânico, Rosa ameaçou a patroa:
- Dona Vera! Se a senhora não chamar o pastos Fidélio para expulsar esse demônio, eu não trabalho mais aqui!
Anoiteceu, Mayulla dormiu, a casa sossegou. O casal discutiu o problema.
- Vamos chamar o pastor Fidélio, Ivan? Precisamos de ajuda.
- Não. Isso é história da Rosa. Esses fenômenos não são um problema religioso. A ciência já estuda o assunto.
- Mas temos que chamar alguém, Ivan. Quem?
- Acho que seria melhor procurar um padre. A Igreja Católica tem mais experiência nesse tipo de coisa.
- Que tipo de coisa, Ivan?
- Exorcismo - ele disse em voz baixa.
Um dia depois, Vera teve que correr novamente para casa. Encontrou uma pequena multidão na calçada oposta ao sobrado. Os móveis voavam pela porta afora, empilhando-se no meio da rua. As cortinas da sala estavam em chamas. Os vizinhos tinham chamado a
polícia, que chegou com a sirene uivando. A imprensa local apareceu logo em seguida. No dia seguinte, o Jornal de Jaguarussuna berrava em manchete:

TERROR NA CASA ENDIABRADA
Família Apavorada Com Estranhos Fenômenos
A reportagem informava que tinha havido um crime hediondo naquele sobrado. Um filho matara o pai. Tinha roubado o caminhão do velho e passara por cima dele quando fugia. Seria essa a maldição da casa endiabrada?

- Se eu soubesse disso, nunca tinha me mudado pra cá! - Vera chorou.
Ivan ficou enfurecido ao ver seu drama estampado no jornal:
- Vou acabar perdendo o emprego com essa história!
- Precisamos de ajuda, Ivan. Vá procurar um padre, pelo amor de Deus!
O padre Augusto Arcanjo recebeu Ivan em seu escritório na casa paroquial. Era alto e grisalho, de rosto severo, cavado de sugas. Ganharam certa fama por ser um padre com espírito científico: pesquisador e autor de livros sobre parapsicologia. Tinha até
aparecido na TV. Mas Arcanjo recusou a súplica do aflito Ivan:
- O senhor não pode atribuir esses fenômenos a espíritos, muito menos crer que são coisa do demônio. Isso é uma superstição grosseira! Esses fenômenos têm causas naturais. São manifestações do inconciente. Pertencem ao campo de estudo da chamada PES -
Percepção Extra-Sensorial. Com a voz pausada, o padre esclareceu que ocorrências como o poltergeist, a levitação, a psicognose ou adivinhação do pensamento, pré-cognição ou conhecimento antecipado de eventos futuros, a telecinésia ou movimento de objetos,
a xenoglossia ou o falar línguas estrangeiras ou desconhecidas, a pirogênese ou combustão espontânea, a fantasmogênese ou materialização de "espíritos", tudo isso era objeto de investigação científica.
Ivan cortou a palestra do padre:
- Mas eu não posso esperar a ciência encontrar uma resposta! Preciso de uma solução agora! Não podemos continuar vivendo nesse inferno!
- A criança é o epicentro dos fenômenos. Já é fato comprovado.
- Precisamos de ajuda! O senhor pode benzer a casa, rezar! Faça alguma coisa, pelo amor de Deus! O senhor é um padre!
- Não creio que possa ajudar muito.
- O senhor pode fazer um exorcismo!
Augusto Arcanjo abanou a cabeça:
- A igreja recomenda uma investigação rigorosa antes de autorizar o ritual do exorcismo. Não podemos estimular supertições e crendices. O senhor, como engenheiro, um homem racionalista, compreende, isso, não? De todo modo, vou visitar sua casa hoje à
noite. Vá com Deus, meu filho. Ivan saiu desesperado. Como ter fé em um padre que não acreditava no diabo? Quando o padre Arcanjo entrou na sala, os móveis dançavam no espaço.
- Telecinésia - ele comentou com Ivan.
Uma voz possante trovejou no quarto de Mayulla:
- Você não acredita em mim, Arcanjo?
- Hiperestesia direta: leitura do pensamento - diagnosticou Arcanjo.
A casa ressoava com golpes nas paredes, tropel de cascos no andar de cima.
- Tiptologia - disse Arcanjo subindo a escada.
No patamar superior, um tubo de dentifrício flutuava no ar. A tampa saltou, e o tubo esguichou creme dental na batina do padre, desenhando um estranho símbolo. Ivan reconheceu aquele sinal: estava inscrito no amuleto de pedra que o velho índio tinha dado
a Vera em Machu Picchu! Gargalhadas ferozes, de mil vozes, rebentaram no quarto de Mayulla.
- Esse é um dos meus nomes, Arcanjo!
E o quarto exalou uma onda de fedor insuportável. O padre persignou-se e avançou para dentro. Mayulla ...


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