peperonity.net
Welcome, guest. You are not logged in.
Log in or join for free!
 
Stay logged in
Forgot login details?

Login
Stay logged in

For free!
Get started!

Text page


images
mundo.sobrenatural.peperonity.net

:: O Deus Animal Bebe Sangue :: ll=ll

:: Um Deus Alimentado De Sangue :: ll=ll

NAHUATLAN, GUATEMALA

O helicóptero sobrevoou a ilha no centro do grande lago Uotancac. A bordo, a jovem arqueóloga Luana Jaguaripe teve uma rápida visão das ruínas de Nahuatlan. Sentiu um arrepio. Como se já conhecesse aquela cidade perdida na selva tropical da Guatemala. No
campo de pouso, a equipe de exploradores já esperava por ela. Seu ex-professor, Jordan Rivers, deu-lhe um abraço e um beijo no rosto:
- Bem-vinda, Luana! Você está mais linda do que nunca.
A bela morena brasileira tinha sido sua aluna na Universidade de Michigan. Rivers tinha uma paixão secreta por ela. Tanto que a convidara para juntar-se à equipe do professor Samuel Corman, que chefiava os trabalhos. Luana espantou-se ao ver o garoto que
acompanhava Rivers. Devia ter pouco mais de dez anos. Pelo topete ruivo, só podia ser filho dele.
- O que esse menino bonito está fazendo nesta selva?
Jordan Rivers encheu o peito:
- Jimmy está aproveitando as férias escolares para aprender um pouquinho sobre civilizações pré-colombianas. Dá um beijo na moça, filho.
- É muito bom ter você conosco - saudou Sam Corman. - Jordan fez mil elogios ao seu trabalho na Universidade da Amazônia.
Trocando cumprimentos com Renaldo Cordero e Pilar Palomo, geólogos da Universidade do Vale, Luana reparou que era observada atentamente por aquele índio alto e magro, de cara enrugada como couro velho.
- Este é don Juan Gavilán - Corman informou. - Ele dirige a nossa turma de índios escavadores. É um lider local, muito respeitado. E também um consultor valioso: um verdadeiro expert sobre a civilização Nahuatlan.
- Bienvenida, senõra - Juan Gavilán inclinou a cabeça.
Tinha um narigão curvo como o bico do gavião que lhe dava nome. Recolhendo a mala e a pasta de couro de Laura, Rivers convidou:
- Vamos tomar uma limonada, señorita. Está fazendo muito calor. Depois eu serei o seu guia turístico em Nahuatlan, a cidade perdida do deus-jaguar.
Refugiaram-se em uma grande tenda central. Rivers descarregou a bagagem da moça em uma mesa montada sobre cavaletes.
- O que você traz aí, Luana? - Corman apontou a pasta com o cachimbo.
- Foi uma espécie de delírio que eu tive - ela riu. - Uns desenhos que andei fazendo uma semana antes de voar pra cá. Imaginei Nahuatlan em seu apogeu.
Espalhou os desenhos sobre a mesa. Cabeças gigantescas de jaguar, esculpidas em pedra, plantadas na selva. A cidade de Nahuatlan em dia de festa. O salão do templo, com o altar de sacrifícios e uma estátua elevada de Uotan, o deus-jaguar. Um sacrifício: o
sacerdote, coroado de plumas verdes, erguendo uma longa faca negra sobre o peito da vítima, estendida no altar de pedra.
- Mas isto é impressionante! - Sam Corman ficou embasbacado. - Você desenhou a cabeça do deus-jaguar com toda a exatidão! E esta vista da cidade! A pirâmide com degraus! A perspectiva é a mesma! Como é possível? Ainda nem divulgamos fotos do local!
- Você tem muita imaginação, Luana - disse Jordan Rivers.
- Imaginação... ou telepatia? - Pilar Palomo sugeriu.
- Exceto por esse templo - ressalvou Corman. - Não encontramos ainda essa estátua do deus-jaguar com corpo humano.
- Mas vão encontrar - interveio Juan Gavilán. - Nahua quer dizer segredo. Nahuatlan era a cidade secreta dos magos. O templo dos sacrifícios era um local sagrado, oculto. Posso ver os desenhos?
Examinou as visões de Luana. Apontou detalhes autênticos: as plumas verdes do quetzal, o pássaro sagrado. Os olhos de fogo da estátua do deus-jaguar, feitos de pedras preciosas. O prato de couro onde se depositava o coração da vítima para Uotan beber seu
sangue. O poço dos crocodilos, onde o corpo era lançado.
- Tu já vieste aqui antes - ele disse para Luana. - És uma alma antiga.
- Uau! Chocante! - Jimmy exclamou.
- Tonterías, chico... Crendices.

JOGOS DE NAHUATLAN: QUEM PERDE, MORRE
À tarde, os Rivers levaram Luana para ver as ruínas. A grande pirâmide com degraus. Arcos, portais, construções de pedra. O material encontrado nas escavações: vasos de cerâmica, estatuetas, jóias, objetos de sílexe obsidiana. Seguindo pelas picadas
abertas na selva, Jordan lhe apontava as cabeças de Uotan, com três metros de altura, elevando-se dentre a vegetação. Carrancas assustadoras, com dentes arreganhados. Os guardiões de Nahuatlan.
- Uotancac quer dizer "jaguar de pedra". Há setenta e duas cabeças iguais a essa circundando a ilha. Um modo de dizer: "entrada proibida".
- Como se não bastasse o lago infestado de crocodilos - disse Luana.
Ela carregava uma prancheta com um bloco de desenho e sua caixa de crayons. Sentou-se em uma rocha para desenhar a cabeçorra do ídolo. Lágrimas esculpidas escorriam dos olhos do deus-jaguar.
- Por que a estátua está chorando? - Jimmy estranhou.
Juan Gavilán surgiu por trás deles:
- As lágrimas de Uotan faziam cair a chuva e crescer o milho.
- O culto do deus-jaguar existiu por toda a Ámerica, do México ao Peru, mas deve ter nascido aqui - Jordan informava o filho. - Nahuatlan é muito anterior aos maias, astecas, toltecas, olmecas etc. As datações de carbono 14 indicam cinco mil anos antes de
Cristo.
- Uau!
Mais à frente, Laura parou para admirar um painel esculpido em alto-relevo em uma parede: duas equipes em uma arena, enfrentando-se no jogo da pelota.
A postura dos jogadores fez Jimmy pensar em futebol americano:
- Será que o rugby também nasceu aqui, papai?
- As regras eram muito diferentes, Jimmy. Era um jogo de vida ou morte.
- O capitão do time perdedor era sacrificado - Juan Gavilán explicou. - Seu coração era arrancado e oferecido a Uotan, para que o deus-jaguar concedesse boas colheitas e vitórias guerreiras a Nathuatlan.
- Uau! Chocante!

COMO CRIAR UM DEUS ANIMAL
As noites da selva eram muito frias. Havia pouco a fazer, exceto ouvir música, espantar mosquitos e jogar conversa fora, sentados em volta da fogueira. O som de uma flauta triste vinha do acampamento índio, em uma clareira próxima.
- Essa música era tocada em Nahuatlan para chamar chuva - disse Gavilán. - Para entristecer Uotan até fazê-lo chorar.
- Tomara que ele não escute! - riu Sam Corman. - Se chover tanto assim, vamos passar uma semana trancados nas barracas!
- Não vai ouvir. Felismente, Uotan está morto - disse Cordero.
- Talvez não esteja de todo - contestou Gavilán. - Um deus pode ressuscitar. O deus do homem branco não ressuscitou?
Pilar Palomo encarou o índio com severidade:
- O senhor quer dizer que o deus-jaguar tinha tanto poder quanto o deus do homem branco?
- O poder é o poder, señora. Deuses nascem e morrem. Os magos de Nahuatlan sabiam como criar um deus. Mas os espanhóis, quando chegaram à América, mataram nossos deuses, que eram melhores para nós do que o deus branco.
- Explique isso melhor, don Juan - Corman ascendeu seu cachimbo.
- O deus branco é poderoso, mas é um deus que só pode ser adorado e servido. Não se pode exigir nada dele. Nós podiamos negociar com nossos deuses. Usar seu poder em nosso benefício.
- Conte esse segredo para, don Juan - Jordan Rivers incentivou-o.
- O universo é mágico: é a fonte do poder. O sangue é mágico: é a essência da vida. O pensamento é mágico: é energia mental que causa efeito. O sacerdote usava essas três forças para criar e alimentar o nosso deus.
- Como ele fazia isso? - Jimmy entrou na conversa dos adultos.
- Sacrificando uma vítima. O sangue fazia nascer um deus.
- Uau!
- Um deus criado pelo homem não deve ser muito poderoso - disse Corman.
- Engana-se, meu amigo - replicou gavilán. - O seu deus não disse que a fé remove montanhas? As três forças criavam um poder no local do templo. Um campo de energia. Uma entidade que dependia de nós para alimentar-se e crescer. Em paga, ela realizava os
desejos do povo. Colheitas fartas, vitórias na guerra.
- Um deus que bebe sangue é monstruoso - disse Pilar Palomo. - Felizmente, o tempo dos deuses animais passou.
- O tempo é uma ilusão, señora. Tudo retorna.
- Como os espanhóis conseguiram matar o deus? - Jimmy estava intrigado.
- Nos obrigaram a abandoná-lo para seguir o deus branco. Mas talvez Uotan não esteja morto. Pode estar esperando que retornemos para ele.
- E qual é o truque para ressuscitar Uotan? - Cordero provocou.
- Simples. Um sacrifício. Sangue. É preciso arrancar o coração de um homem e entregá-lo à sacerdotisa, esposa sagrada de Uotan, para que ela alimente o deus.
Vendo os olhos arregalados de seu filho, Rivers comandou:
- Hora de dormir, Jimmy. Ou você vai acabar tendo um pesadelo com essa conversa tenebrosa. Não se esqueça de fazer suas orações.
Durante todo o tempo, Laura não disse uma palavra. Estava concentrada em retratar o rosto enérgico de Juan Gavilán. Um Gavilán mais jovem, coroado com o diadema de plumas de quetzal.

DEBAIXO DA PIRÂMIDE
Luana percorria a ilha como se conhecesse as trilhas da floresta. Dispensava o guia índio. Sempre com seu bloco de desenho, reproduzia ídolos, símbolos, totens. Armada com um facão, abria picadas na mata espessa. Naquela tarde, avistou um estranho monte
cônico, vestido de musgo, cipós e trepadeiras. Bastou utilizar o facão para desvendar o mistério: uma pequena pirâmide, decorada com a carranca do deus-jaguar. Raspou o musgo com a faca, expondo pictogramas, a escrita de Nahuatlan. Ela pressionou um
símbolo em alto-relevo que significava "portal". Ouviu um som surdo no interior da pirâmide. A seus ...


This page:




Help/FAQ | Terms | Imprint
Home People Pictures Videos Sites Blogs Chat
Top
.