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para onde vai o iphone?

Num evento no último dia 6 de março, em Cupertino, a Apple respondeu esta pergunta. E, é claro, como se pode imaginar, ela prevê que ele vai longe. Para tanto, uma estratégia de duas frentes será posta em prática.

Por um lado, a empresa de Steve Jobs permitirá que desenvolvedores independentes criem produtos para o iPhone, que assim deverá ter uma bastante ampliada base de software. Por outro, a Apple deverá investir no mercado corporativo, buscando conquistar os corações, as mentes e os talões de cheques dos CIOs (e roubar clientes da HP, da Microsoft e, principalmente, da RIM com seus Blackberries). Perfeito. Como vemos, está tudo resolvido.
Resolvido? Tenho aqui minhas dúvidas. E elas não ocorrem por saber que os concorrentes corporativos da Apple não são bobinhos e nem por achar que, apesar do charme, o iPhone não é dos equipamentos mais adequados para, por exemplo, escrever textos (um teclado “real”, mesmo que pequeno, como os dos concorrentes, é bem melhor do que um “touchscreen”).

Minhas dúvidas derivam de outra coisa: já trabalhei com a Apple no passado, fazendo as duas coisas que a empresa agora quer fazer: desenvolvendo software e tentando levar a marca para o mundo corporativo. Acreditem, não é fácil. Em primeiro lugar, está no DNA da empresa um enorme sentimento de superioridade com relação a todos, de concorrentes a clientes. Os produtos eram e continuam sendo bons, inovadores e elegantes, mas...

Primeiro, vejamos o aspecto “parceria com desenvolvedores”. A Apple nunca foi boa nisso, tanto que o maior problema dos Macs, em relação aos PCs, especialmente no mercado corporativo, sempre foi a carência de software. E no anúncio de Steve Jobs já apareceu um problema: todos os softwares desenvolvidos para iPhone deverão ser vendidos via iTunes, o que limita a liberdade de vendas dos desenvolvedores e tira das operadoras qualquer receita com as operações de venda. Pode ser que a Apple acabe voltando atrás dessa decisão, mas ela mostra claramente como a empresa continua pensando de forma autoritária e centralizadora.

Mas a questão “mercado corporativo” é ainda mais delicada. Numa tentativa de venda em volume a uma grande empresa, por exemplo, enquanto uma companhia como a HP facilita, financia, integra soluções de software etc., a Apple em geral se comporta como se estivesse fazendo um favor, ao cliente, em vender para ele. E depois tem toda a história de manutenção, do suporte, de atender a clientes que usarão os iPhones em negócios de missão crítica, que devem ter o funcionamento garantido 24 horas por dia e sete dias por semana, que é como a RIM trabalha.

A Apple sempre teve no suporte um grande calcanhar-de-aquiles e não há qualquer sinal de mudança aí. Ou seja, o anúncio das mudanças de rota com relação ao iPhone vão, simplesmente, contra o DNA da Apple. Sabemos, é claro, que todo mundo, e todas as empresas, podem mudar. Eu, por enquanto, ficarei observando com uma boa dose de ceticismo a efetividade das mudanças estratégicas para o iPhone de Steve Jobs.

O curioso é que a mídia não cansa de incensar a Apple e suas táticas, mesmo as altamente questionáveis. Este assunto é, aliás, a matéria de capa da revista Wired de abril, que acaba de chegar às bancas. O autor, Leander Kahney, lista cinco leis de negócio do Vale do Silício que a Apple teima em ignorar, e com bons resultados. As regras são:

1) Abrace plataformas abertas (a Apple faz exatamente o oposto);
2) Comunique-se o tempo todo com seus usuários e fãs, antecipando as novidades e contando o que se passa na empresa (a Apple ignora os usuários e pouco fala com a mídia. Eu já entrevistei um vice-presidente da empresa e sei bem disso);
3) Não explore deslealmente suas vantagens por ser líder (todo Mac vem com iTunes pré-instalado, e maioria dos produtos comprados no iTune só roda em iPods);
4) Ame seus clientes (a Apple não quer nem saber deles);
5) Motive e dê liberdade de ação a seus funcionários (a Apple acredita mais no medo como forma de incentivo).

A análise me parece bastante acurada, e não há dúvida que as coisas têm dado mais do certo para a empresa. Mas no passado a Apple quase foi para o brejo mais de uma vez, em boa parte por causa das “vitoriosas” táticas apontadas pela Wired. E será, por fim, que agindo assim, as coisas continuarão indo bem quando o que se quer, agora, é adular os desenvolvedores de software e os CIOs das grandes corporações? É o que veremos nos próximos meses


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